terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Investigações da Polícia Civil do Pará indicam que autoridades do Estado atuaram para proteger, de forma ilegal, um empresário indiciado sob acusação de pedofilia.

By: MARINOR BRITO: - 09:20

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Na Folha de São Paulo, edição de sábado (4), matéria assinada pelo correspondente João Carlos Magalhães, publicada no Blog da Rita Soares


Investigações da Polícia Civil do Pará indicam que autoridades do Estado atuaram para proteger, de forma ilegal, um empresário indiciado sob acusação de pedofilia.

Antonio Carlos Vilaça, 56, é dono de um conglomerado de empresas de construção civil, mineração e transporte.

Vilaça nega todas as acusações, segundo seu advogado.

Inquérito sob segredo de Justiça, ao qual a Folha teve acesso, diz que o empresário mobilizou um deputado, um juiz e um delegado, além de advogados de políticos e uma jornalista, para tentar manipular a investigação.

Esse grupo, segundo a polícia, coagiu testemunhas, vazou informações sigilosas, pressionou uma juíza e traficou influência para tentar barrar a repercussão do caso.

O inquérito, baseado em interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça e feitas de novembro de 2009 a julho deste ano, apurou a suposta relação entre Vilaça e cinco meninas e adolescentes dos municípios de Barcarena e Abaetetuba.

Mas as gravações mostraram, segundo a polícia, autoridades do Pará tentando livrar o empresário de uma suspeita anterior: ter abusado de três meninas de Belém.

OS GRAMPOS

Com base nas conversas, a polícia concluiu que o delegado Edivaldo Lima foi subornado para retardar a investigação. Após o inquérito passar para uma delegada, Vilaça chegou a ser preso, em abril -hoje, está solto. Lima nega as acusações e afirma que nunca investigou Vilaça.

Segundo a interpretação dos grampos feita pela polícia, um dos principais articuladores da proteção a Vilaça foi Wladimir Costa (PMDB), o Wlad, deputado federal que se reelegeu neste ano.

As gravações mostram o deputado conversando com interlocutores sobre a necessidade de convencer a mãe de uma das vítimas a desmentir sua própria versão.

Os grampos também apontam que Wlad ajudou a "vazar" para Vilaça a informação sobre ordem de prisão contra o empresário, em abril. Com isso, Vilaça ficou foragido por uma semana.

O deputado, segundo a polícia, foi ajudado por Inocêncio Mártires Coelho e João Neri, advogados da coligação eleitoral da governadora Ana Júlia Carepa (PT).

Outro suposto elo do grupo no Judiciário é o juiz criminal Carlos Alberto Flexa.

Usando o celular do próprio empresário, Flexa ligou, dias antes da ordem de prisão, para a juíza que cuida do caso. Segundo a polícia, sua intenção era influenciá-la a não mandar prender Vilaça.

Uma repórter do jornal "O Liberal", de Belém, foi indiciada -como todos os outros, exceto Wlad e Flexa, que têm foro privilegiado no STF (Supremo Tribunal Federal) e no Tribunal de Justiça, respectivamente, nos quais são investigados.

Os grampos apontam que Micheline Oliveira participou de tentativa de extorquir R$ 100 mil de Vilaça pela não publicação do caso e depois lhe passou informações.

Outro lado

Todos os indiciados e citados no inquérito negam ter protegido ilegalmente Antonio Carlos Vilaça. O empresário nega ter cometido crimes sexuais contra menores.

Segundo o advogado de Vilaça no caso, Osvaldo Serrão, ele "nega as acusações, não aceitando a autoria ou participação". "O Tribunal de Justiça reconheceu a ilegalidade de sua prisão", diz o advogado. Ele não comentou a suspeita de proteção ilegal.

Em nota, o deputado federal Wladimir Costa (PMDB), o Wlad, chamou a investigação de "armadilha" e se disse "vitima de perseguição da alta cúpula da Policia Civil do Estado do Pará", a qual nutriria "um ódio fervoroso" dele.

Segundo a nota, Wlad provocou esse ódio ao denunciar "diversos casos de desvio de conduta" de policiais.

Sobre Vilaça, ele confirma conhecê-lo, mas disse que, se o empresário for considerado culpado, quer "que este [Vilaça] apodreça na cadeia".

O juiz Carlos Alberto Flexa, 67, também disse conhecer o empresário e Wlad.

Confrontado com o teor dos grampos, Flexa confirmou que ligou para a juíza do caso, mas a partir do próprio telefone. "Eu liguei para a juíza para saber o que é que estava acontecendo. Mas não influenciei nada, não pedi para fazer isso ou aquilo."

Ele disse que sua atitude foi regular, apesar de o processo contra Vilaça correr em segredo. A Folha não conseguiu falar com a juíza.

O delegado Edivaldo Lima disse que nunca investigou Vilaça e que, portanto, não tem nada a explicar. "Não tenho versão, não conheço, não posso falar", afirmou.

A Divisão de Atendimento ao Adolescente da Polícia Civil do Pará reafirmou, no entanto, que foi Lima quem iniciou a investigação.

O advogado Inocêncio Mártires Coelho negou ter ajudado a vazar informações sigilosas do Judiciário e chamou a insinuação de "equivocada". Se houve vazamento, disse, foi feito por adversários políticos de Vilaça.

João Neri afirmou que não falaria porque o inquérito está sob segredo de Justiça.

Micheline Oliveira disse que a suspeita é "leviana e irresponsável" e negou a suposta extorsão. (JCM)

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