quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Eufemismos para a fome

By: MARINOR BRITO: - 16:38

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Maykon Santos*

Na semana passada o IBGE, baseado na PNAD 2009, divulgou números sobre a fome no Brasil. O resultado, ao menos, deveria espantar, pois 30,2% dos domicílios no Brasil sofreram, ano passado, de insegurança alimentar. Ou seja, 65,6 milhões de pessoas residentes em 17,7 milhões de domicílios.

Mas fica a pergunta: O que é insegurança alimentar? A FAO estabelece que a segurança alimentar representa um estado no qual o ser humano, durante todo o tempo, possui acesso físico, social e econômico a uma alimentação suficiente, segura e nutritiva, que atenda a suas necessidades dietárias e preferências alimentares para uma vida ativa e saudável. Traduzindo, a insegurança alimentar significa que o ser humano tem o seu direito mais básico, a vida, desrespeitado, pois sem comer não se vive!

O leitor inteligente deste texto já fez as inferências e constatou que em nosso país a cada 3 pessoas, 1 passa fome!

Desse total, 5,0% (2,9 milhões de domicílios em que vivem 11,2 milhões de pessoas) foram classificados como insegurança alimentar grave. Um eufemismo para o fato de que o ser humano que vive nessas casas passa fome todo dia! Outros 6,5% (equivalente a 3,8 milhões, onde moravam 14,3 milhões de pessoas) foram classificados com insegurança alimentar moderada, o que equivale a dizer que não tiveram o que comer em alguns dias e em outros comeram menos e alimentos de baixa qualidade do que o necessário para assegurar seu pleno desenvolvimento. Já outros 18,7% de lares sofreram com insegurança alimentar leve (11,0 milhões de moradias, onde viviam 40,1 milhões de pessoas. Essa classificação indica que esses sujeitos comeram alimentos de baixa qualidade, como também conviveram com o medo de não ter o que comer no dia seguinte.

Esses números são estarrecedores e dignos de repulsa! Ainda mais se comparados à propaganda midiática que resolveu dizer que o Brasil deixou de ser o país de futuro para ser o país do presente. Sem dúvida alguma a conjugação desse verbo no tempo presente e no modo indicativo não se encaixa para os 65,6 milhões de brasileiros citados pela pesquisa. Vejam bem: 65,6 milhões!!!!

Qualquer ser humano com um mínimo de conhecimento de história sabe que foi comum motins de fome nos quatro cantos do mundo quando havia um sentimento coletivo de que o estado não zelava pelo bem comum da sociedade e faltava alimentos. Se invadiam celeiros, saqueava as terras dos senhores feudais e se reprimiam atravessadores que escondiam alimentos ou os queriam vender a preços injustos.

Já nas sociedades modernas o direito à alimentação é obrigação do estado. Mesmo assim, 1/3 dos brasileiros não podem se amotinar. Por quê? Em uma sociedade capitalista nenhum direito pode estar acima ao direito à propriedade. Nem mesmo o direito à comida. Sem dúvida alguma, cada um dos 65,6 milhões de sujeitos que passaram fome se deparam com situações de entrar ou passar perto de uma grande rede de supermercados e ter que voltar para casa com fome, pois só entra ali quem tem dinheiro e pode comprar! A fome do ser humano é menos importante do que a propriedade privada do alimento!

Além disso, todo brasileiro sabe que em nosso país a desigualdade tem cor, sexo e região preferencial. Sendo assim, no Nordeste 46,1% dos domicílios passaram por insegurança alimentar (FOME). Nos domicílios chefiados por mulheres, a incidência de fome foi de 17,7% contra 12,5% dos homens. Entre pretos e pardos, 43,4% dos lares sofreram com a fome!

Para finalizar, quando do anuncio dos números, os pesquisadores do IBGE, inspirados no nosso presidente, gritaram que tivemos avançamos nunca antes visto na questão da fome. Afinal, em 2004 eram 34,9% de brasileiros, contra 30,2% em 2009, com algum tipo de insegurança alimentar (sic): FOME! Uma grande festa para uma queda de pouco mais de 10% em 4 anos. Oras!!! De quanto foi o aumento nos lucros dos banqueiros nos últimos 4 anos? Das construtoras? Dos que vivem apenas da renda advinda de juros da dívida pública? O discurso é um eufemismo para justificar o injustificável: a fome!

Lembremos que a presidenta eleita tinha como plataforma acabar com a fome no Brasil. Se dependermos do ritmo de redução da pobreza de governos petistas, Dilma Roussef terá que ficar no cargo por uns, no mínimo, longos 44 anos!!!!!

*Militante do PSOL/SV e do Círculo Palmarino/SP

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